O Casal do Blog toda semana traz crônicas, histórias e reflexões sobre o amor, vida de casados, relacionamento e sempre nos fazem refletir sobre o que estamos vivendo ou pretendendo viver…

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Veja também: Amor: ação, reação e revolução, Rir a dois para vivermos mais e melhor

O amor resiste ao tempo? Ironicamente, a melhor época para relacionar-se é pior época dos relacionamentos. Falo isso porque relacionar-se já foi mais complicado do que é hoje. E, por vezes, em tempos mais remotos, tornava-se um grande problema para os enamorados.

Houve também um tempo em que namorar não era uma decisão entre duas pessoas. Os pais é que decidiam com quem os seus filhos iam relacionar. Os famosos casamentos arranjados não são mitos. Se vasculhar no seu histórico familiar, vai encontrar algo do tipo. O que importava não era as relações de afetividade, afinidade, ou interesses psico-emotivos, mas os “acordos” vigentes entre as famílias.

Nos tempos de nossos avós, por exemplo – isso é,  estamos falando apenas de 50 ou 60 anos atrás – mesmo nos namorados constituídos e oficializados, tinham que enfrentar bem mais desafios do que hoje. A começar que deveriam ter a maior descrição possível publicamente e passar pelo controle familiar rígido quase que em tempo integral. Tudo era completamente controlado e regrado.

Nos esquecemos que namorar livremente é recente. Com o tempo as coisas se afrouxaram, e hoje trocamos tanto de namorados que nossos parentes até cometem a gafe de chamar, sem perceber, o atual pelo nome da ex.

Como a história do amor, evoluiu dos relacionamentos com proibição familiar e negociatas para momento de envolvimento relacional como receita médica contra um mundo com a afetividade bastante doente? Bem, só sei que o amor, antes era um maltrapilho indigno que por sorte dava certo, e hoje passa por um processo de supervalorização exacerbada que acaba em si mesmo. Com interferências da sociedade de consumo, da tecnologia, da rapidez e da liquidez, as coisas degringolaram mais ainda. Passamos da insatisfação quanto a felicidade para aos “mimimis eternos” em redes sociais. De fato, a melhor época para amar é pior época do amor

Porque amar hoje ainda vale a pena? Talvez seja hora de fazermos um exercício de pensar no amor, pelo menos, como uma conquista histórica. Talvez deveríamos repensar e ver que o amor já teve dias piores, mas está aí, intacto e vivo como nunca.

Não é possível que por motivos banais, nós quebremos relacionamentos a todo tempo. Sempre queremos nos fazer de vítimas mal compreendidas. Deixa disso! Perceba que nem mesmo quem tinha direito de ser a vítima não quis ser. Essa gente continuou a vida. Construiu famílias que perduram até hoje. E tem paginas intermináveis de histórias.

Eu sei, a maneira de amar, as pessoas, a sociedade, o tempo, tudo mudou. No entanto, talvez devamos aprender com os mais velhos que amor nem sempre é ter o que se idealiza, mas é fazer tudo que deve ser feito com o que se tem para viver da melhor maneira possível por muito tempo.

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