Conheci o trabalho do fotógrafo Rodrigo Zapico ontem e adorei o jeito envolvente que ele escreveu sobre Gaudí e Barcelona. Depois de autorizado, resolvi reproduzir este post encantador que vocês também encontram no blog do rapaz. Então aí vai:

“Dizem que viajar sempre renova.

Eu penso que viajar é sempre algo novo. Nada de reaproveitamentos. É como se ao pisar em terras distintas, nosso coração usasse toda a bagagem que guardamos durante todo o planejamento daqueles próximos dias para criar uma energia capaz de só ser escrita naquele território.

Pois é, parece que eu gosto de escrever.  E um tantão.

Na hora de contar as histórias de novas experiências, sempre hesitamos em criar lógicas, ordem, ou organizações para coisas que não padecem de linearidade alguma. Emoções acontecem. Cantinhos especiais existem. O sol, brilha mesmo. Então, que para desenrolar os mapas que tracei nos meus passeios oníricos pela Europa, decidi ir colocando aqui, assumindo o papel disso como o de um diário. E porque não, um diário de uma lua-de-mel futura, né não?

Luas-de-mel sempre tem disso de ser energéticas. Por ’s’ fatores, é bem verdade.

Mas, vivendo lá, na Europa, o calor da hora, percebi que faz sentido para muitos dos casais que entro de penetra na vida, passar um retiro sentimental por aqueles lados, depois do oceano, sabe? #ficaadica.

Confesso que sempre fui um pouco cético com relação aos encantos desta cidade Català. Esse negócio de querer impor uma língua própria, no meio de uma tico de país-paraíso que já tem outras 4 é sempre um tanto quanto maluco demais pra mim, que sempre tive o espanhol como língua mais natural que o português. Pois bem, por motivos profissionais – ok, de curiosidade também – resolvi ceder aos encantos de Gaudí e toda sua trupe em Barcelona.

Gosto muito de conhecer os pontos turísticos de cada cidade, é bem verdade. Mas não gosto de ficar preso nessa idéia ‘vendável’. Sorte imensa ter vários Parkings em todo e qualquer canto de BCN. Se eu achava que tínhamos problema com estacionamento em São Paulo, aprendi que o que está ruim, pode ser pior. Quer coisa mais deliciosa que sair do estacionamento e ver de um lado, a Catedral de São Paulo, e do outro, só num virar de pescoço, as pontinhas mais fofas da famosíssima Sagrada Família?

Cada cantinho que a gente desvenda nessa cidade, dá vontade de namorar. Papo sério. Especialmente se você encontra demonstrações afetivas de todas as idades no banco da praça ao som de uma melodia que mesmo que você não a conheça, parece estar em consoância com o ritmo do seu coração. Bem delícia.

E é simples assim, como tomar um sorvete, se deslumbrar com o inacabado. Aprender que as coisas não tem fim é uma ótima lição. Mesmo.

Outra lição deliciosa que acho muito que os brasileiros deveriamos todos aprender é a acreditar nos ‘nativos’. Tinham me dito do por-do-sol fantástico do Parc Güell, outra brincadeira linda do Gaudí. Apostei todas as minhas fichas no paisano que entre uma colherada no sorvete e outra me contava milhões de histórias dele em um tempo que as “máquinas de fotografia levavam papel”.

Realmente é como se o sol das 9 horas da noite tivesse em si a força de todos os sóis que brilharam mundo a fora em todas as horas anteriores. Sim, 21h e um sol lindo de morrer. Lindo, de viver. E se pra completar o fim do dia que inaugura uma noite quentinha, deliciosa e refrescante de sensações a beira de uma super fonte, logo abaixo do super concorrido visualmente Palácio de Montjuïc? Pois é, coisa de louco. Ou de feliz.

Agora bacana mesmo é se você pensar que tempo é irreal também. Pois é, essa vida toda de sensações aconteceram em uma tarde. Uma única tarde. O lance é aproveitar como quiser o que resta do dia, quer dizer, noite. E sorrir. É Barcelona!

Fotos: Rodrigo Zapico