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Tudo como tinha que ser. Havia sonhado com essa data os últimos meses. Ela acordou cedo, e se deu conta que o dia mais esperado da vida dela acabara de chegar.

“Meu deus! Parece que foi ontem que você chegou em nossa casa com aquele moleque mal-vestido, de boné pra trás, cheirando irresponsabilidade e leite materno!” exclamou Seu Mario, pai da noiva. Além disso, era uma honra para ela poder casar com seu primeiro e único namorado.

Para Pedro parecia um dia normal, comum, foi dispensado do trabalho mais cedo, já era um lucro. Achava esse negócio de salão uma grande frescura, então só cortou o cabelo aonde sempre cortava mesmo. Acendeu um cigarro e foi repreendido pela maioria: “Ah! Agora que vai começar uma nova vida, você podia pelo menos parar de fumar né?” Ele retrucou: “Eu vou entrar na igreja para casar, não vou virar padre!”

As horas foram se aproximando, parecia uma contagem regressiva. Não via a hora de tirar o terno, teve que emagrecer 6 quilos para entrar nele.

Tinha chegado a hora. Estava lá, parado, a marcha nupcial começando, todos olhando para a porta, esperando por ela, deslumbrante com haviam dito que ela estaria. A porta abriu quase que conjuntamente com o sorriso do rosto dela. Um dos padrinhos cochichou baixo: “Uau! Como ela ta linda!”

A tia-avó dela começou a espremer as lágrimas com um lenço enquanto seu esposo segurava as pálpebras para não dormir. Tinham vindo do Acre de ônibus.

Quando Seu Mário entregou sua filha ao noivo falou bem baixinho em seu ouvido: “Se fizer ela chorar, eu te mato!” e seguiu com um sorriso discreto. O padre pediu para que todos sentassem. Então era a vez de Pedro fazer seu papel:

“- Gabriela, você me aceita como seu legí..”

“- Como é?”

“- O que?”

“- Meu nome é Gabriele!! Com E!”

A igreja ficou em silêncio. Com lágrimas nos olhos, ela correu em direção a saída segurando a barra do vestido. Seu Mário, pai da noiva, cutucou a esposa e disse: “Sério? Com “E” no final?”

“Homens…” pensou ela indignada.

 

Obrigada Casal do Blog.