Olá casamenteiras, tudo bem?

Desde que começamos a introdução alimentar aqui em casa, é uma montanha russa de sentimentos.

No começo é aquela expectativa, será que eles vão comer? Normalmente esse começo é difícil, mas é impressionante a satisfação que um prato vazio consegue causar no coração de uma mãe. Essa questão de se alimentar bem deve estar inscrita nos nossos instintos mais primitivos, pois é unânime não é? Toda mãe que eu conheço fica muito feliz quando o filho come bem e por outro lado fica em pânico quando o filho para de comer.

Crianças comendo

Ao longo desses dois anos tivemos fases em que os dois se alimentaram maravilhosamente bem, comeram tudo sem nem querer saber o que é, e fases tenebrosas de semanas com brigas homéricas na hora da refeição. É o meu ponto fraco, eu admito, o que me tira do eixo são os chiliques na hora da refeição, ver os meus pequenos sem comer direito por dias seguidos me tira do sério. Isso foi uma das coisas que me surpreendeu na maternidade, nunca imaginei que eu fosse ficar tão brava por causa de alimentação, mas é.

Hoje eu entendo perfeitamente as mães que num ato de desespero, oferecem qualquer coisa (nuggets, macarrão instantâneo, bolacha recheada) para os seus filhos comerem, é muito aflitivo saber que o seu pequeno não tem nada no estômago, é um instinto mesmo, precisa se alimentar e ponto!

Temos um mundaréu de informação hoje, sabemos que essas fases existem, e a importância de não ceder às vontades dos pequenos, mas ninguém me disse que ia ser tão difícil e desgastante.

Desde o começo, eu tenho uma regra minha, que é não ceder. Meu mantra é “eu sou mais madura para decidir o que é melhor, e sou eu que mando nessa casa!”. Por ter optado pela rigidez eu enfrento olhares de reprovação por todos os lados, mas no meu coração eu fico tranquila, sei que é o melhor para eles, e graças a Deus o marido tem o mesmo pensamento e apoia cem por cento.

Eu briguei muito, muito mesmo nessas fases de boca fechada, mas de uns tempos para cá tenho agido diferente. Levando em consideração a máxima do pediatra “ninguém morre de fome na frente de um prato de comida”, eu não brigo mais. Sentamos para comer, começou o chique por que não quer comer? Tudo bem! Eu explico que aquela é a refeição do dia, aquele é o papá que tem para hoje, que se não comer vai ficar com fome e toco o dia normalmente. Dói meu coração, mas eu não ofereço mais nada até a próxima refeição, só água. Funciona que nem mágica! Quando eles “chilicam” na hora do almoço, o jantar é uma refeição de comercial de margarina! Bocas abertas para todos os lados, felizes e sem reclamar de nada! O que a fome não faz!

As únicas exceções acontecem quando eles estão doentinhos, aí eles comem o que conseguirem e na hora que conseguirem, também me permito afrouxar as rédeas em viagens onde normalmente a rotina toda vai para o espaço, mas no dia a dia é esse o esquema na minha casa.

As nossas células tem memória, e até os dois ou três anos é quando criamos a memória das nossas preferências de alimentação, por uma questão de instinto de sobrevivência, todos nós damos preferência a sabores mais doces, lá nos tempos das cavernas, isso era importante para não comer nada que pudesse fazer mal. É natural que as crianças torçam o nariz para os verdinhos e prefiram as bolachas recheadas, é instinto, e é muito forte, mas eu acredito de coração que se nós apresentarmos apenas alimentos saudáveis nessa primeira fase da vida deles, existe uma chance grande de eles seguirem se alimentando melhor pela vida toda.

bebê comendo banana

O poder de oferecer uma alimentação saudável está totalmente nas nossas mãos. Outro dia eu vi em um desses grupos de mães no Facebook uma mãe desesperada pelo filho de três anos que não tomava água de jeito nenhum, ela dizia que ele só toma refrigerante e suco, nada de água. Fiquei pensando nisso e poxa gente, sem julgamentos, mas o pequeno tem três anos! Ele não tem dinheiro para comprar refrigerante e suco, ele ainda nem consegue abrir a geladeira e se servir disso, alguém oferece, certo!? Com certeza essa mãe precisaria de muita paciência para gerenciar alguns chiliques, mas toda vez que ele disser que está com sede, eu ofereceria água, a criança vai jogar o copo no chão, gritar, espernear, mas a hora que a sede bater, vai tomar. E aí criar uma regra de refrigerante só aos finais de semana por exemplo, o ideal é nunca consumir não é? Mas falar é fácil, e talvez uma regrinha que restrinja o consumo seja mais tranquilo de implementar.

Enfim, saber que as fases de recusar comida existem e são totalmente normais, me dá tranquilidade para seguir com o pulso firme e não ceder às vontades dos pequenos, e principalmente reconhecer que uma criança não tem maturidade para saber o que é melhor para ela, e que é minha responsabilidade decidir e agir da melhor forma, me dá força para continuar nessa linha mais durona.

Uma ótima semana! Cheia de pratos vazios e barriguinhas cheias!

Beijos

Kaká