Olá Casamenteiras, tudo bem?

Se vocês tem o mínimo de acesso às redes sociais, devem ter visto essa semana a campanha #meuprimeiroassedio. Essa campanha surgiu por causa de uma enxurrada de comentários de homens adultos insinuando algum tipo de desejo sexual por uma participante mirim do programa Master Chef Junior, a menina em questão tem 12 anos, repito, 12 anos e se chama Valentina. Ela é uma menina normal, que se comporta como a criança que ainda é, se veste como uma criança que ela ainda é, e por causa de uma cultura muito estranha, para não usar outra palavra, ela foi alvo de inúmeros comentários nojentos de cunho sexual.

A campanha criada pelo coletivo Think Olga convidou as mulheres brasileiras a compartilhar nas redes sociais o primeiro assédio sexual que sofreram, a primeira vez que se lembram de ter sido abordadas, tocadas ou obrigadas a fazer, ver ou ouvir algo que não queriam, não sabiam nem o que era, enfim, a primeira vez que se sentiram assediadas de alguma forma.

Essa campanha tem uma importância enorme, pois mostra de forma muito clara que o assédio não acontece apenas com mulheres que se vestem ou se comportam assim ou assado, acontece com todas as mulheres e infelizmente com muitas meninas. Entrem na hashtag no Facebook e leiam os relatos, vale a pena para ter noção da realidade.

É com muita tristeza que eu li muitos dos relatos, e vi que muitas e muitas mulheres já passaram por alguma experiência dessa natureza. Nem todas tem coragem de se abrir e falar, mas eu tenho quase certeza que todas as mulheres tem algum momento da sua história que quando lembra dá aquele nó na garganta, um momento em que um alguém, geralmente um homem, fez algo contra a sua vontade, ou até disse algo e você, por ser criança não entendeu, e hoje lembrando dá um nojo horrível.

Nessas horas, eu fico pensando na responsabilidade enorme que é criar um menino. Vejo tantas discussões por aí sobre deixar ou não os meninos brincarem com bonecas, panelinhas e casinhas, e vejo também pais, incentivando os seus pequenos a cumprimentar um grupo de meninas dizendo: Vai lá filhão, fala oi para as gatinhas!

O homem que eu quero criar, vai saber como tratar uma mulher, vai ouvir todos os dias da vida dele que ele teve respeitar a tudo e a todos, vai saber ouvir um não sem xingar a menina, não vai mexer com mulheres na rua.

Menino cuidando

Uma vez eu peguei uma conhecida minha brincando com o João que ele seria um garanhão, charmoso, que ia pegar todas as menininhas, eu voei na frente da pessoa e comecei a falar tudo ao contrário. Eu falei pra ele que não é nada disso, que ele vai namorar sim, mas que ele vai respeitar e proteger sempre todas as mulheres, e vai ser conhecido por isso!

Outra coisa que ficou muito evidente nos depoimentos e que me chocou muito, é que em grande parte dos casos de abuso, o agressor é uma pessoa próxima, amigo dos pais, tios, avôs, isso é inacreditável. O que nos resta é estar sempre por perto das nossas meninas, ensinar o que pode e o que não pode, conquistar a amizade e a confiança delas para que elas nos contem tudo! E principalmente, criar os nossos meninos para que eles nunca se sintam superiores às mulheres, que nunca se sintam no direito de nada em ocasião nenhuma!

Para pensar…

Beijos,

Kaká