Ele ficou sem te ligar por um dia. Você, então, decide que não também vai ligar para ele para não demonstrar tanto interesse. É exatamente neste ponto que o orgulho pode começar a atrapalhar o amor.

Há uma máxima complicada no imaginário das pessoas: “Quem parecer se importar menos com a relação é quem tem o poder dela em suas mãos”. Nesse sentido, ser “a pessoa mais interessada” pode significar permanecer em desvantagem emocional. Será que isso é real?

Eu fico me perguntando  o motivo pelo qual queremos sempre que o outro se importe com a  gente, mas não estamos sempre dispostos a ceder. Quem nunca estampou um rosto blasé  e fingiu que não tinha visto uma mensagem no celular? Quem nunca fingiu que não notou uma ligação perdida, mesmo o celular escancarando a ligação na tela inicial? Podemos até enganar o outro, mas não a nós mesmos.

Quem expressa despretensão alguma em relação ao outro, não pode estar amando. A indiferença, o desdém e  o desprezo não combinam com um relacionamento saudável. Não deixe para responder intencionalmente tarde aquele SMS raso que dizia somente um “oi”. Defina bem para si em que pé estão as coisas. Não dá para ficar de joguinhos psicológicos. Penso que se chegou ao ponto  que não lhe dá mais prazer atender, falar, responder alguém, é porque precisa apenas encerrar a relação.

img-21 Poxa, os orgulhosos também amam!

Acredito que existam basicamente dois tipos de pessoas que nos relacionamos: A primeira é a pessoa que é completamente desinteressada no relacionamento, que vive um nível incomodador de desapego que, às vezes, você tem a impressão que ela tem mesmo zero de interesse em você, mas que apenas está deixando as coisas andarem naturalmente.

A outra, é a pessoa que acredita mesmo que você é um achado no meio de nada e que realmente se interessa por tudo que é relacionado a sua vida, mas por algum motivo insondável  parece fazer um tremenda força proposital para que os laços entre vocês não se estreitem, e a partir daí, finge que não se importa apenas para não dar o braço a torcer e a coisa vai morrendo aos poucos.

Como saber lidar com eles? Bem, aí é com você! Distinguir com qual desses dois você está se relacionando é um desafio complicado. Parece óbvio, mas quando agimos com desinteresse, ou propositalmente, negamos o envolvimento, a mensagem a ser entendida é: “Eu gostaria desesperadamente que você viesse atrás de mim, mas porque eu sou vazio, quero apenas fingir que estou bem.”

Certo, mas você deve estar se perguntando se não seria mais honesto ele te chamar para uma conversa só vocês dos num café qualquer no fim da tarde e te dizer? Qual o problema de ser honesto, de deixar na cara que você ama estar com o outro e que quer realmente que tenham um relacionamento duradouro e de anos após anos, não é?

 

 

 

 

Corbis-42-34883305 Poxa, os orgulhosos também amam!

Veja também: Amar é para quem não pensa muito e O amor esfria?

Eu concordo plenamente com você, mas acho que você também deveria cobrar menos as atitudes do outro e começar a convidá-lo para uma conversação mais aberta. Se necessário, diga: “Perdoe, eu errei, não deveria falar ou agir assim com você , mas é que eu não estou entendendo bem para onde estamos indo!”.

No entanto, porque a maioria pensa que isso é se rebaixar?  O medo de se rebaixar é o que tem feito muitos dos esnobes ter que dividir suas noites solitárias apenas com seu próprio orgulho porque não sabe reconhecer que é hora de acabar com essa bobeiras superficiais e ir viver de verdade o que se tem para viver com o outro.

Deixe de lado essa vaidade tola, abandone a presunção. Apague essa maquiagem que existe em você e vai logo dizendo ao seu companheiro que não consegue  mais estar longe dele, nem mais um minuto, e procure perceber se ele também se sente assim. Conversem francamente.

Mande aquele e-mail que ficou nos rascunhos, o torpedo que deletou, aquele áudio no Whatsapp se declarando. O que não pode deixar é o orgulho acabar com o que sente um pelo outro.  Dê o braço a torcer.

Nada pode curar mais um orgulho ferido do que um amor inteiro para tomar conta. Se entregue novamente, e mais uma vez, e de novo… repetidamente..